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Mai 20

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Deverá um carro autónomo matar uma pessoa para salvar duas?

Somos continuamente confrontados com notícias de fabricantes automóveis que preparam sistemas de condução autónoma que dispensarão a necessidade de condutores – algo que irá certamente contribuir para o aumento da segurança rodoviária e a drástica redução de acidentes – mas é um tema que também permite abordar algumas perspectivas curiosas que inevitavelmente teremos que enfrentar e discutir. Como por exemplo: deverá um carro autónomo decidir matar uma pessoa para salvar outras duas?

É uma questão que alguns poderão querer nem abordar, mas que nos faz pensar em situações que se poderão tornar bem reais. Os automóveis autónomos poderão ser “praticamente” à prova de acidentes, estando continuamente atentos sobre tudo o que os rodeia e antecipando todas as situações de risco, mas os acidentes inesperados acontecem, e quando acontecerem nem sequer o seu elevado poder de processamento poderá contornar as leis da física de um veículo que poderá estar a circular a mais de 100Km/h numa via repleta de outros veículos.

carcrash

O que podem fazer – e muito melhor que nós – é contabilizarem e considerarem todas as hipóteses possíveis para minimizarem os danos e maximizarem as probabilidades de sobrevivência dos ocupantes, o que nos leva à questão inicial: e se nessas deliberações se der o caso de o veículo ter que optar entre salvar ou matar duas ou mais pessoas?

Por exemplo, imagine-se um caso hipotético onde o rebentamento de um pneu faz com que o carro tenha que optar entre cair por um penhasco abaixo com 0% de probabilidade de sobrevivência, e chocar de frente com um veículo que viajava em sentido contrário, transportando um casal inocente, com probabilidades elevadas de lhes causar graves danos ou até a morte?

Como lidar com esta questão, que para um humano não seria pertinente, pois aconteceria numa fracção de segundo na qual apenas reagiria “por instinto” e sem consciência?

Será que passaremos a ter uma classificação atribuída a cada pessoa, da sua importância, fazendo com que um CEO de uma empresa terá mais valor que um condutor “anónimo”? Será que levar crianças no carro nos poderá dar melhor “pontuação” para que em caso de acidente os restantes veículos nos dêem prioridade? Ou chegaremos a um futuro onde a lista de sobreviventes prioritários dependerá de coisas como a quantidade de likes ou “+1” que tem nas redes sociais?

Uma coisa é certa, se subitamente virmos que carros autónomos de determinadas marcas fazem todos os possíveis para evitar chocar com veículos da mesma marca, preferindo chocar com veículos das marcas concorrentes… talvez seja o momento para exigir que o software de controlo dos automóveis seja disponibilizado como open-source, para que se possa ver o que passa por trás da sua inteligência electrónica.

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