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Abr 05

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As consequências dos automóveis autónomos na sociedade

Muito se tem falado sobre o impacto que os automóveis sem condutor terão, incluindo em áreas que à partida não se imaginariam estar relacionadas, mas ainda mais inspirador – ou assustador – é tentar imaginar tudo aquilo de “inimaginável” que poderão vir a potenciar.

Há quem já tente imaginar as repercussões dos automóveis sem condutor em “segundo grau”, e embora muito fique ainda por dizer, é um excelente ponto de partida para nos deixar a pensar sobre o assunto.

Um mundo repleto de carros autónomos é um mundo em que haverá uma redução substancial de acidentes. Menos acidentes implica desde logo menos mortos e feridos, menos danos e estragos, menos ocupação dos serviços de saúde e serviços de emergência (e também uma redução a nível dos orgãos para transplantes, que actualmente muito dependem dos acidentes de viação).

Da parte “mecânica”, os carros eléctricos precisam de muito menos manutenção que um automóvel com motor de combustão, o que desde logo põe em causa a necessidade de tantas oficinas como as que existem actualmente – e se a isso somarmos a ausência de acidentes, ainda menos motivos haverá para as visitarmos. Outra coisa que se deixará de visitar são os postos de combustível, assumindo que os carros terão autonomia para 99% das necessidades, e com isso também eles terão que repensar a sua actividade, que actualmente já tenta puxar mais para o lado das lojas de conveniência do que da venda do combustível (talvez o seu futuro passe mesmo por se tornarem em lojas “drive-in”). Se assim não for, há ainda mais consequências indirectas: nos EUA é nos postos de combustível que se vende a maioria dos maços de cigarros… estão a imaginar o que seria os automóveis autónomos virem a ser, indirectamente, responsáveis pelo fim desse maldito vício que continua a matar milhares de pessoas por ano? (Nos EUA, são meio milhão por ano!)

Se assumirmos a transição para um modelo de transportes pessoais a pedido, as possibilidades são ainda mais vastas. Em vez de um carro próprio, que necessitaria de encontrar lugar para estacionar e ficar parado a maior parte do tempo, poderíamos dar uso a uma frota de carros que continuamente tentaria encontrar a máxima eficiência para prestar o serviço de transporte, sempre que se quisesse e de/para onde se quisesse. Sem necessidade de condutores humanos os custos desse transporte seria bastante mais competitivo que os actuais; e sem congestionamentos nem acidentes, os custos de operação (incluindo o dos seguros) seria igualmente muito mais apelativos. Isto para não falar no sonho que seria termos cidades sem carros a ocupar todo e qualquer recanto livre, em cima de passeios, no meio das estradas, e tudo o mais.

Mas as maiores transformações, como falava no início, são aquelas que por agora nem nos parecem imagináveis. No passado, foi a popularização dos carros e da liberdade de transporte que permitiu a criação das mega-lojas e dos centros-comerciais, que vieram afectar o comércio local da forma que todos sabemos. Uma nova era de transportes autónomo vai abrir as portas a muitas novas oportunidades… e basta ter imaginação e criatividade suficiente para tentar aproveitá-las da melhor forma. 🙂

 

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