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Mar 26

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Novas imagens levantam ainda mais dúvidas sobre atropelamento mortal da Uber

O caso do atropelamento pelo automóvel autónomo da Uber continua a fazer surgir cada vez mais questões, desta vez com imagens adicionais captadas por outras pessoas, que mostram um cenário bem diferente das imagens que foram captadas pelo veículo da Uber.

O vídeo revelado pela polícia, captado por uma das câmaras do carro autónomo da Uber, mostraram-nos um cenário sombrio, de uma estrada completamente às escuras e carregada de zonas de sombra que pareciam resistir à iluminação dos faróis do Volvo utilizado pela Uber – imagens que desde logo fizeram com que a polícia dissesse que se tratava de uma situação em que até um condutor humano não teria conseguido evitar o trágico acidente.

No entanto, muitas pessoas da zona põem em causa aquelas imagens, dizendo que aquele vídeo não é representativo das condições normais que se tem na realidade, e que aquele troço está muito melhor iluminado do que o vídeo faz imaginar, sendo uma verdadeira diferença “da noite para o dia”.

Para melhor demonstrar as diferenças, peguei num frame tirado directamente do vídeo da Uber (na imagem abaixo, no topo), meti outro com o brilho “puxado”, para tentar revelar alguns detalhes que pudessem passar despercebidos (no meio), e noutro frame retirado de um outro vídeo gravado por outra pessoa naquele sítio.

Que as diferenças são “da noite para o dia” não há dúvidas; embora falte esclarecer as características da câmara utilizada no Volvo, e qual foi utilizada no novo vídeo (é que alguém que gravasse um vídeo com um Galaxy S8, ou uma Sony RX100, obviamente que não terá qualquer comparação com uma “dashcam”).

Por outro lado, estamos a falar de um automóvel autónomo, que não deverá ter poupado na qualidade das câmaras que utiliza… pelo que também não se poderá desculpar que esta fosse a qualidade máxima disponível para o sistema autónomo (suspeito que será sim, uma “dash cam barata”, apenas para efeito de documentação, de forma independente do sistema mais complexo de condução autónoma).

Apontei várias zonas que podem ajudar a comparar as diferenças e alguns aspectos curiosos:

  1. um painel branco num poste: um painel perfeitamente visível no novo vídeo, mas que é praticamente invisível no vídeo original, só aparecendo quando se puxa o brilho.
  2. nome iluminado num prédio: para efeitos de referência e comparação
  3. o semáforo: um pequeno ponto no vídeo original, onde nem sequer se percebe que é um semáforo; mas que no novo vídeo é completamente visível.
  4. secção de estrada iluminada por um poste: esta ajuda a eliminar a possibilidade de que, na noite do acidente, algum poste estivesse às escuras. Embora seja pouco perceptível nas imagens da Uber, vê-se que mesmo no vídeo original temos luminosidade acrescida, pelo que não se coloca essa possibilidade.

Daqui se pode concluir que as imagens reveladas até ao momento pela Uber são de uma câmara com um péssimo desempenho em situações de pouca luminosidade, e que não traduzem as condições reais que um condutor humano veria. E, mais importante, fazem com que uma pessoa a atravessar a rua seria perfeitamente visível!

Ficamos curiosos para ver as restantes imagens captadas por aquele módulo multi-câmara no tejadilho, e do LIDAR.

A isto somam-se as muitas dúvidas sobre o desempenho global do sistema autónomo da Uber, que tem requerido intervenções constantes por parte dos condutores humanos de segurança, a uma média de uma intervenção a cada 20 kms percorridos (em comparação os da Google, que têm necessitado de uma intervenção humana a cada 9.000 kms!) e que, no mínimo, fariam com que a condutora deste Uber autónomo, devesse ir com atenção à estrada em vez de ir distraída. E também a presidente da Velodyne, fabricante do LIDAR usado nestes automóveis, já veio frisar que o seu LIDAR seria perfeitamente capaz de detectar a pessoa na estrada, independentemente de ser um local pouco iluminado, e que não terá sido esse o elemento a falhar, mas sim o “cérebro” do veículo que, ou não usou os dados do LIDAR, ou não os soube interpretar como sendo uma pessoa / obstáculo que devesse ser evitado.

Muitas perguntas… cujas respostas, inevitavelmente, serão descobertas.

Publicado originalmente no AadM

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