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Mar 23

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Vídeo do atropelamento do Uber autónomo divulgado pela polícia

O trágico acidente com um automóvel autónomo da Uber que atropelou e matou uma mulher tem gerado enorme preocupação sobre a capacidade destes veículos detectarem pessoas nas estradas, e a polícia já divulgou as imagens que antecedem o acidente que poderão ajudar a explicar o que se passou… mas que também levantam outras perguntas.

Uma das “vantagens” (se assim se pode dizer) dos acidentes com automóveis autónomos, é que estes levam a bordo uma quantidade considerável de câmaras e sensores que registam tudo o que acontece, e que assim permitem recriar a situação e analisar o que se passou. As primeiras indicações que tinham sido dadas era a de que teria sido um acidente impossível de evitar, mesmo para um condutor humano… e o vídeo agora revelado vem demonstrar que de facto assim é:

A mulher, que ia a atravessar a estrada empurrando uma bicicleta, escolheu o pior sítio possível para o fazer, numa zona sem iluminação logo após uma zona iluminada da estrada (sem considerar que tinha uma passadeira iluminada a poucas dezenas de metros). O efeito é o de ter “aparecido” de repente, sendo que poucos condutores poderão dizer que teriam conseguido evitar este acidente.

… No entanto, estas são apenas as imagens captadas por uma das câmaras instaladas no automóvel. Tratando-se de um dos Volvo equipados com muitas mais câmaras e – mais importante para este caso – LIDAR, torna-se mais difícil compreender porque motivo o LIDAR, pelo menos, não terá detectado a pessoa a atravessar a estrada.

Antes deste vídeo do acidente, imaginava que a mulher pudesse ter saído de trás de um veículo ou arbustos num separador central, impedindo a sua detecção de forma atempada. Agora que vimos o que se passou, não parecem haver desculpas para que, mesmo tratando-se de um acidente que não poderia ser evitado por um condutor humano ou com base em câmaras normais (câmaras térmicas ou de visão nocturna / IR teriam também tratado do assunto) era o tipo de situação que o LIDAR deveria, obrigatoriamente, ter detectado! Sem esquecer que, ainda o ano passado, estes automóveis precisavam de atenção constante por parte dos condutores humanos.

Certamente que a investigação deste caso irá querer ver os dados do LIDAR e o que falhou; e só espero que, ao estilo de um acidente que tive há muitos anos, em que um sujeito chocou comigo e me veio explicar que “foi por ter o ABS avariado há algumas semanas e ainda não ter tido tempo para levar o carro à oficina” não se venha a descobrir que os LIDAR nestes carros da Uber estejam lá apenas para “enfeitar” e o sistema não os esteja a usar… Vamos acreditar que não, e que há outra explicação lógica para o LIDAR não ter detectado uma pessoa no meio da estrada…

Publicado originalmente no AadM

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